Início » Blog » Samaúma 

Samaúma, a árvore da vida

Samaumeira, samaúma, sumaúma, mafumeira, malpanka, ora, bongo, kumaka, yaxche, ceiba pentandra. São muitos os nomes que identificam a árvore imponente e ancestral, encontrada nas florestas tropicais da África e da América do Sul. Fundamental para a biodiversidade e a cultura dos povos indígenas, a samaúma é também conhecida como “árvore da vida”.

Considerada a árvore mais alta da floresta Amazônica e uma das maiores do mundo, a grandiosa samaúma pode alcançar 65 metros. Para abraçar a “vovó”, como é chamada pelos locais, precisa-se de no mínimo 20 pessoas, e sua copa aberta, frondosa e horizontal permite avistá-la  ao longe.  

A largura de suas sapopembas (raízes) também impressiona e é fundamental à biodiversidade: ela consegue retirar a água das profundezas do solo amazônico e trazer os minerais não apenas para abastecer a si mesma, mas também pra repartir com outras espécies. Sua copa, por sua vez,  serve como guarida para pequenos animais que se abrigam sob sua fronde. A samaúma também é fundamental para homens que habitam a floresta amazônica, que, através de batidas ritmadas, utilizam seu tronco estrondoso para se comunicar.

Segundo a mitologia dos antigos maias, o universo era sustentado por uma árvore imensa que unia toda as instâncias do universo: Yaxche, a primeira árvore. E, ainda hoje, para muitos povos indígenas da Amazônia, a samaúma é uma árvore sagrada vinculada ao mito de criação do homem, além de possuir poderes de cura espiritual e medicinal.

Certo dia, um homem andava pela mata e viu um velho pajé olhando por muito tempo para uma samaumeira. O pajé falava baixinho para a árvore: “Samaúma, eu gosto de ti. Tu és uma árvore grande, alta, bonita. Através de ti eu posso curar as pessoas. Teu espírito é guerreiro. Quando eu preciso de comando, eu chamo teu espírito e ganho tua força. Samaúma, tu deves ficar viva para sempre.” (“O Livro das Árvores”, Organização Geral dos Professores Ticuna Billingües, p.46).

Os mais velhos da aldeia Tururucari-Uka contam que o povo Omágua/Kambeba originou-se de uma gota d’água, trazida pela chuva e dentro dela vinham duas gotas menores que, ao tocarem nas folhas de samaumeira, caíram na água do igarapé, dividiram-se em duas partículas e nasceu o homem e a mulher.  (“Reterritorialização e identidade do povo Omaguá-Kambeba na aldeia Tururucari-uka”, Márcia Vieira da Silva, p.152)

Apesar de seu papel central no coração da Amazônia, a samaúma vem sendo ameaçada de extinção. As árvores estão sendo derrubadas por madeireiras para a fabricação de compensados. O desmatamento ilegal agrava a difícil sobrevivência da espécie, que não se reproduz com facilidade.

Assim como a luta pela sobrevivência da samaúma é fundamental à manutenção da biodiversidade amazônica, a nossa agência se inspira na resistência dessa árvore ancestral para a preservação dos territórios e saberes tradicionais. A agência Samaúma busca entrelaçar todos que experienciam o turismo comunitário, oferecendo, para os viajantes, a oportunidade de reconectar-se consigo, com a natureza e com as comunidades tradicionais, e, para estas, a chance de desenvolver-se e de mostrar suas histórias e seus saberes.