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XI Encontro de Ceramistas de Paraty reúne artistas e admiradores do artesanato

O já tradicional evento da cidade teve sua primeira edição em 1978 e acontece de 13 a 16 de abril.

Um encontro que reúne saberes artísticos abertos para toda a cidade de Paraty e seus visitantes. Assim é o Encontro de Ceramistas de Paraty, que, neste ano, ocorre entre os dias 13 e 16 de abril. A programação conta com oficinas, demonstrações de escultura em argila, feiras e exposições, e não é preciso ter conhecimentos prévios na área para participar. O evento, que já está em sua 11ª edição, foi iniciado em 1970 pelo artesão Dalcir Ramiro, conhecido como Cizinho.

Dalcir foi o precursor do movimento de cerâmica na cidade de Paraty, em meados da década de 1970. Ele relembra que, até então, a cidade não tinha uma tradição com a cerâmica, apenas registros de que os índios guaianases, que viviam na região da Praia de Jabaquara, já haviam trabalhado com a argila. Por outro lado, Cunha, cidade vizinha, já produzia algumas peças que chegavam em Paraty: “existia um senhor que era responsável pela troca entre as duas cidades. Ele trazia várias peças de cerâmica e eu acabei comprando um cuscuzeiro. Interessado, perguntei se ainda havia alguém por lá que trabalhasse com isso”.

Ele foi, então, até Cunha, onde teve a primeira experiência com argila, um encontro marcado também pela cultura afro-brasileira. “Aprendi com uma paneleira de Cunha. Ela me ensinou e eu quis fazer uma peça com ela, mas ela não quis, porque não me conhecia. Saindo de sua casa, eu encontrei sua neta, que me disse que sabia fazer e ia me ajudar. Nós pegamos barro no rio e fomos para o chão na casa dela, num terreiro, e eu comecei a fazer. Depois, eu trouxe um pouco de barro pra cá e comecei a fazer sozinho”, relembra. Desde então, Dalcir faz da cerâmica sua vida e profissão. A paixão e a dedicação de Dalcir a essa arte facilitaram também a articulação com outros artistas, que foram chegando à cidade e formando uma rede.

O primeiro Encontro de Ceramistas aconteceu alguns anos depois, em 1978, quando Paraty já despontava como cidade turística e já contava com outros artistas que trabalhavam com argila. O evento reuniu ceramistas de Cunha e Paraty. “A formação ceramista de Cunha difere um pouco da de Paraty. Eles conservam muito referências da cultura japonesa. É uma cerâmica mais dura, também pela diferença nos fornos. Em Paraty nós temos um trabalho mais autoral, com diferenças entre os artistas”, explica Dalcir.

Depois da primeira edição do Encontro, já na época promovido durante a semana santa, foram realizados mais três, sendo que o último foi organizado pela prefeitura municipal. “Em 2011 eu tive a ideia de retomar o Encontro porque o consulado japonês de Cunha levou para lá o ceramista que fez o primeiro forno da cidade e eu quis fazer algo por aqui”.

Desde 2011, o Encontro de Ceramistas acontece anualmente e colabora para o fortalecimento do movimento ceramista na cidade e na região, impulsionando novos artistas e fortalecendo o artesanato local. 

Neste ano, em sua XI edição, o Encontro tem atividades que acontecem na Casa de Cultura de Paraty, na Quadra da Matriz e no Atelier do próprio Dalcir. A programação completa pode ser conferida na página oficial do Encontro.